Texto: Kessia Carvalho
Após o planeta terra ser atingido por um cometa, os sobreviventes seguem suas vidas dentro desse novo “normal”, vivendo em uma base militar, enfrentando a radiação e um clima hostil enquanto buscam suprimentos.
“Destino final 2”, passa por um processo que gosto de chamar de “terra prometida”. Os personagens seguem caminhando e tentando sobreviver até alcançar um objetivo. A narrativa é frenética, e as atuações de Gerard Butler e Morena Baccarin são bem entregues. Em expressões sutis, conseguimos perceber os conflitos pessoais dos personagens.
O filho do casal, interpretado por Roman Griffin Davis, é tratado de forma bastante sutil, ficando quase sempre no papel do filho que precisa ser protegido. Mesmo tendo cerca de 15 anos e tendo crescido nesse contexto, eu esperava mais ação da parte dele. Ele permanece no papel de indefeso. Particularmente, gostei do fato de ele não ser um adolescente amargo ou rebelde. Há apenas um momento inconsequente, mas o personagem não abraça a ideia de tomar atitudes ruins, mesmo conhecendo claramente o contexto perigoso em que vive. Isso é algo que muitos filmes erram ao retratar adolescentes como incapazes de compreender a gravidade da própria situação.
Os demais personagens funcionam mais como passagem para a jornada dos protagonistas, mas ainda assim conseguem dar um panorama geral de que aquelas pessoas têm suas próprias realidades e histórias.
Gosto de como, apesar do azar extremo que faz tudo dar errado justamente para eles, os atos considerados heroicos são humanamente possíveis. Em nenhum momento os personagens entram naquele modo exagerado de “sou um herói, vejam como sou um herói”.
Por outro lado, algumas situações exigem uma boa dose de suspensão de descrença. Por exemplo, vivíamos bem, agora não vivemos mais, encontramos um lugar melhor e o que fazemos? Saímos dele para ir a outro local onde todos podemos morrer no caminho, sem nem termos certeza de que estamos certos. Em outra situação, há comida, energia, água e plantação, mas mesmo assim alguém leva a filha para uma morte quase certa por algo que nem se sabe se realmente existe.
A filmagem utiliza bastante câmera na mão para reforçar o ritmo frenético, especialmente em diálogos mais dinâmicos, buscando transmitir urgência e importância, algo que particularmente gosto bastante. Porém, há momentos em que a câmera treme mais do que o necessário, embora isso provavelmente não incomode a maioria do público.
No geral, é um filme mediano, com um roteiro genérico, mas que ainda assim consegue proporcionar uma boa experiência.


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