Luiza Aires apresentou ao público “Menina do cabelo alaranjado”, uma bossa leve e dançante que fala sobre afeto, identidade e os encontros e desencontros. “Escrevi ‘Menina do cabelo alaranjado’ inicialmente sobre mim mesma, da perspectiva de eu pequena olhando pra eu adulta”, contou Luiza. “Depois, revisitando a música, percebi que a personagem pode representar muitas pessoas na minha vida. Acho curioso como encontro pedaços dessa menina por toda parte como se, pra entrar na minha vida, tivesse que impressionar a Luizinha de alguma forma.”
A canção, que nasceu em 2023 como um diálogo íntimo da artista com sua versão mais nova, ganhou novos contornos ao longo do tempo e hoje propõe múltiplas leituras, convidando cada ouvinte a reconhecer em si ou no outro essa figura simbólica.
A Conexão Beat cnversou com Luiza Aires que falou sobre processo criativo, referências na Bossa Nova, identidade e os sentimentos que espera despertar com sua nova música. Leia a entrevista na íntegra:
Conexão Beat: A “menina do cabelo alaranjado” não é uma personagem literal. Em que momento você percebeu que ela representava várias pessoas ou várias versões de você mesma?
Escrevi “Menina do cabelo alaranjado” em 2023, inicialmente sobre mim mesma, da perspectiva de eu pequena olhando pra eu adulta. Essa música sempre teve relevância entre as músicas que eu mostrava pras pessoas e/ou tocava em shows, mas por muito tempo sem nenhuma intenção de lançar. Era uma música gostosinha que tinha um significado extra especial pra mim então eu fazia questão de incluir no meu repertório público. Depois de o que pareceu uma vida inteira, no final de 2024, revisitei essa música quando pensando em lançar coisas em português. Foi nesse momento que ouvi ela com outros ouvidos e percebi que a personagem que eu criei pode representar muitas pessoas na minha vida e não só eu adulta pra eu pequena. E acho curioso como acho pedaços da “Menina do cabelo alaranjado” por toda parte, como que se pra entrar na minha vida, tem que impressionar a Luizinha de alguma forma, como se ela fosse meu termômetro ou bússola.
Conexão Beat: A música permite múltiplas leituras. Você prefere explicar suas canções ou deixar que cada ouvinte construa sua própria história?
Eu amo falar sobre meu processo criativo, principalmente destrinchar a minha escrita. Ainda assim, acredito fortemente na ideia de que, uma vez que a música está no mundo, ela não é mais minha, e sim do mundo. Amo o fato de poder compartilhar músicas que vão representar, a cada hora, uma coisa diferente para cada pessoa.
Então, depende da música. Em algumas, prefiro guardar os detalhes pra mim, para que cada ouvinte consiga construir sua própria história. Em outras, é gostoso compartilhar — sempre com a premissa de que é a minha história, e que não preciso que seja a deles — ainda incentivando que criem as próprias histórias.
Conexão Beat: A faixa dialoga com temas como afeto, identidade e reconhecimento. O que mais você espera que o público sinta ao ouvir a música pela primeira vez?
Qualquer sentimento com essa música é bem vindo, acho que depende do momento de vida de cada um, e é essa a beleza da coisa. No meu processo de criação da linguagem e instrumentação da música junto com o meu parceiro Amadeus de Marchi que produziu ela comigo, a intenção sempre foi criar uma atmosfera leve e dançante, possibilitando um respiro no dia a dia das pessoas. E com essa música especificamente, acredito que todo mundo que estiver ouvindo com o coração pode se perguntar quem é a menina do cabelo alaranjado na vida deles. E gosto de brincar que, se você acha não tem essa pessoa na sua vida, eu posso ser ela pra você 🙂
Conexão Beat: Musicalmente, você define a canção como uma “bossa gostosinha de dançar”. Como foi o processo de chegar a esse clima leve ?
Foi um processo super natural! Acho que porque a música existia há muito tempo em mim, eu já tinha algumas certezas sobre como colocar ela no mundo. Achar os timbres pros instrumentos foi bem intuitivo e o Amadeus arrasou muito no posicionamento de todos eles.
Conexão Beat: Em comparação com “Mais uma vez”, este novo single traz um tom mais luminoso. Essa mudança reflete algo que você está vivendo pessoalmente?
Que jeito lindo de colocar essa diferença, obrigada. Olha, acho que, de certa forma, sim. Mas não foi de propósito, hahaha. Acho que a gente acaba manifestando coisas na vida conforme as músicas que vamos lançando. É uma parada tanto quanto louca: quando você vai ver, está vivendo exatamente o que escreveu todo aquele tempo atrás, em uma música que só existia pra você.
Pra mim, essas duas músicas perto uma da outra são uma coisa engraçada, porque “Mais uma vez” fala de um movimento extremamente familiar pra mim, que aconteceu repetidas vezes, principalmente durante e depois da minha adolescência, que é me sentir sozinha, isolada e não pertencente. Já “Menina do cabelo alaranjado”, originalmente, sou eu pequena olhando pra eu menos pequena e achando que eu adulta seria essa entidade de pessoa que já não se sente sozinha, que tem tudo resolvido, quando, na realidade, não importa o quanto a gente cresça: sempre vai ter um novo desafio, porque a vida é pra isso. É curioso como as músicas se comunicam às vezes sem a gente nem perceber.
Conexão Beat: Quais referências musicais te acompanharam durante essa criação?
Durante o processo de criação, eu tava ouvindo bastante alguns dos gigantes da Bossa Nova: Jobim, Vinicius, Nara e João Gilberto (que eu amo!). E também pessoas que vieram um pouco depois, com um tom mais moderno, ainda dentro dos clássicos marcos da música brasileira, como Marina Lima — que eu sou super fã —, Elis e Cássia, e toda essa galera que pode ter passado mil e cem anos e ainda assim vai acrescentar demais na cena musical.
Conexão Beat: Este single antecipa uma nova fase ou um projeto maior? O que podemos esperar dos próximos lançamentos?
Posso dizer que sigo criando, escrevendo, produzindo e planejando. Coisas boas estão vindo aí, sim! Sempre e cada vez mais.



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