Entre recomeços, encontros inesperados e a redescoberta do sentir, Jhimmy Feiches apresentou “Bonito na Vida é Se Apaixonar”, um álbum pop experimental que percorre diferentes formas de se apaixonar. Cada faixa nasceu como um pequeno universo afetivo, traduzindo experiências intensas e breves que deixam marcas.
Com influências universais do pop, mas sem romper totalmente com suas raízes, o cantor amapaense trouxe um disco que dialoga com novas sonoridades e reafirma uma ideia simples de apesar dos fins de ciclo e das incertezas, ainda vale a pena se permitir sentir de novo.
“Essa é a primeira vez que estive rodeado de tanta gente trabalhando junto, compondo junto, produzindo junto um álbum tão diferente da música tradicional amapaense… Um desafio prazeroso”, destacou Jhimmy.
O álbum nasce justamente desse ponto de virada emocional, quando o artista se viu entre a possibilidade de se tornar amargurado e a escolha de se abrir novamente para as paixões. “Esse álbum não vem para celebrar a mim ou as pessoas que encontrei, mas os sentimentos que essas pessoas me proporcionaram”, finalizou o cantor.
Leia a entrevista na íntegra:
De onde veio a ideia de cada faixa representar uma paixão diferente?
A ideia do álbum nasceu naquele momento que ficamos meio perdidos depois de uma grande paixão e um fim de ciclo que é necessário recalcular a rota. Lembro quando mais novo, e passava por uma decepção amorosa, que não valeria mais a pena amar e que tornaria um adulto super amargo. Foi nessa redescoberta de paixões que vi a graça do recomeço e que esses encontros me lembraram o quão agradável é sentir coisas.
A partir de entender esse sentimento, qual foi o ponto de partida para produzir esse álbum?
Foi no momento que me tornaria uma pessoa muito amarga e que não gostaria mais de ninguém. Aí veio na cabeça se aquele relacionamento era aquilo que me fazia gostar de viver. Então, esse álbum não vem para celebrar a mim e as outras pessoas que encontrei, e sim os sentimentos que essas pessoas me proporcionaram. Assim, cada faixa soa tão diferente uma das outras, porque foram sentimentos e experiências muito diferentes que tive nessa redescoberta de me apaixonar.
O disco traz uma sonoridade pop experimental, diferente da música tradicional amapaense. Como foi equilibrar sua identidade artística e territorial?
Para dosar tudo isso ao pop experimental, precisei contar com a colaboração dos produtores e dos compositores que estiveram comigo. Porque veio de um histórico de fazer a música tradicional amapaense, e queria uma proposta e experimento diferente. Cada um que esteve comigo pode falar das suas próprias visões, e assim conseguimos chegar nesse resultado de cada faixa trazer uma proposta diferente. Já a parte de me manter mais conectado com a música tradicional do Amapá foi trazer mais detalhes nas letras, além de trabalhar na minha identidade visual.
Você comentou sobre trabalhar com tanta gente compondo e produzindo junto. Como foi esse processo coletivo?
Tive que me desapegar de ter controle de muita coisa, mas todos estavam atentos ao que queria cantar. Já conhecia a maioria deles, e mostrei todos os meus rascunhos de composições, e começaram a mergulhar junto comigo. E tudo isso trouxe uma grande oportunidade de revisitar as paixões e escrever em formas de letras. Foi muito prazeroso me desapegar do que eu estava acostumado.
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Tem alguma faixa que te marcou mais durante a criação não como cantor, mas como alguém que viveu aquela história?
A música título [Bonita] traz esse momento quando percebi a parte gostosa da vida de me apaixonar hoje e, talvez amanhã não, e depois de amanhã sentir isso por outra pessoa ou outro sentimento. “Bonita” fala sobre mergulhar, tomar um banho de rio, talvez tu me leve para danças amanhã, e depois vivemos nossa vida. A partir dela, comecei a pensar nessas paixões de forma mais isolada. “Duas Rodas” é uma das minhas favoritas, pois fala de uma promessa ainda não cumprida. Gosto muito de motos, e um garoto que gostava muito disse: “um dia, quando tiver minha moto, vou te levar das uma volta”, mas não ficamos mais juntos, e escrevendo essa faixa fiquei com o sentimento de que faltava pouco para aquela carona, que um dia prometi. Quero muito ver como as pessoas vão reagir a essa música.
Ao final, o álbum reafirma a ideia de se permitir apaixonar “de novo e de novo”. Depois desse projeto, o que mudou na sua forma de encarar o amor e a própria música?
Quando finalizei esse álbum, ele me fez ter a certeza de que não vou ser a pessoa que sempre tive medo de ser. O medo de me tornar um cara chato, por motivos bem específicos relacionados a outras pessoas, me mostrou que não corro esse risco. Pode ser que, mais velho, fique amargo, mas serão por outros motivos.
Como vai trabalhar esse álbum no show?
A estética desse álbum está me dando a oportunidade de explorar tudo diferente, como sonoridade, figurino e adereços. Penso em usar roupas com cores, e vou ter mais bailarinos para explorar mais a sonoridade pop.



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