Conheça Cris Tákkahashi, o artista por trás da maquiagem de Elphaba em Wicked

Quando o público vê Elphaba surgir em cena, completamente verde, a transformação parece instantânea. Para quem está sentado na plateia, são poucos segundos entre a atriz e a personagem. Nos bastidores, porém, existe um processo artístico, técnico e minucioso que começa muito antes de as luzes do teatro se acenderem.

É nesse território que trabalha Cris Tákkahashi, designer de maquiagem responsável pela caracterização de Wicked no Brasil e um dos profissionais que ajudam a transformar o elenco do musical em seus personagens.

Foto: Divulgação

Sua trajetória no teatro musical começou em 2019, quando integrou a equipe de Escola do Rock. Depois, vieram trabalhos como Charlie e a Fantástica Fábrica de Chocolate, Wicked e Matilda, além de produções como Legalmente Loira, em que também assinou o design de maquiagem. 

Mas é em Wicked que seu trabalho ganha uma dimensão especialmente simbólica. Afinal, poucos elementos são tão imediatamente reconhecíveis quanto a pele verde de Elphaba.

O verde que precisou ser criado do zero

Na montagem brasileira de Wicked, estrelada por Myra Ruiz como Elphaba, o verde utilizado na personagem ganhou uma solução própria. A tonalidade foi desenvolvida em parceria com a marca de beleza de Bruna Tavares depois de uma série de testes até chegar à cor desejada. 

Cris participou desse processo pensando em uma questão que vai muito além da cor.

A maquiagem precisava ter alta cobertura, resistência suficiente para uma apresentação teatral e praticidade para ser aplicada repetidamente, já que a personagem é interpretada diversas vezes por semana.

“Precisávamos de uma base que entregasse impacto visual no palco, com um acabamento impecável sob qualquer luz, e que ao mesmo tempo respeitasse a pele da atriz, considerando o uso frequente. Foi uma equação delicada entre cor, textura e durabilidade”, explicou o designer à CAPRICHO

A solução passou por uma versão especial da BT Skin, com concentração maior de pigmento e textura mais densa. Para completar a caracterização, o processo utiliza ainda a sombra líquida BT Velvet na cor Pistachio nos lábios e um pó solto verde desenvolvido especificamente para ajudar na fixação. 

O resultado precisa resistir ao que o público nem sempre percebe: calor, suor, movimento, troca de figurino e horas de espetáculo.

Maquiagem como dramaturgia

O trabalho de Cris ajuda a lembrar que, no teatro musical, maquiagem não é apenas acabamento. Ela faz parte da construção do personagem.

Em Wicked, isso fica evidente não apenas em Elphaba, mas em toda a linguagem visual da produção. O design de maquiagem precisa dialogar com iluminação, figurino, perucas, cenário e, principalmente, com a distância entre o ator e o público.

Essa experiência aparece também em outros trabalhos de Cris. Em Legalmente Loira, por exemplo, ele integrou a equipe criativa responsável pelo design de maquiagem da produção brasileira. 

No próprio universo de Wicked, seu trabalho também esteve relacionado à construção de personagens além de Elphaba. Em reportagem sobre a montagem brasileira, o ator Arízio Magalhães contou que a caracterização do Dr. Dillamond, personagem que utiliza próteses, levava cerca de 40 minutos e era realizada por Cristiano Takahashi. 

Um profissional que trabalha antes do aplauso

Existe uma particularidade no trabalho de Cris: quanto melhor a maquiagem funciona, menos o público pensa nela.

O espectador não deveria olhar para Elphaba e pensar na base, no pigmento ou no pó utilizado para fixá-la. Deveria simplesmente enxergar a personagem.

É justamente aí que o trabalho de um designer de maquiagem encontra o teatro.

Cris atua no espaço entre beleza, desenho, caracterização e narrativa. Seu trabalho não termina quando a maquiagem fica pronta. Ele precisa imaginar como aquela imagem vai se comportar sob a iluminação do palco, como será vista pela última fileira do teatro e como continuará funcionando depois de horas de apresentação.

Em Wicked, essa responsabilidade ganha uma escala ainda maior. A maquiagem precisa fazer com que uma atriz brasileira desapareça visualmente dentro de uma das personagens mais reconhecidas dos musicais.

E quando Elphaba entra em cena, verde, intensa e imediatamente identificável, o público vê a magia.

Nos bastidores, existe Cris Tákkahashi.

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Written by Daniel Outlander

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