Bring Me The Horizon faz Rock in Rio cantar, pular e falar português com Oliver Sykes

O Rock in Rio 2026 ganhou um dos shows mais movimentados de seu segundo dia quando o Bring Me The Horizon ocupou o Palco Mundo. Com aproximadamente uma hora e meia de apresentação, a banda britânica combinou faixas de diferentes momentos da carreira, produção visual e uma comunicação especialmente próxima com o público brasileiro.

Bring Me The Horizon. Foto: Reprodução / Multishow

A primeira impressão veio com “DArkSide”, de Post Human: Nex Gen. A partir dali, o repertório alternou faixas mais recentes com músicas que ajudaram a construir a trajetória do grupo, incluindo “The House of Wolves”, “Happy Song”, “Teardrops”, “Shadow Moses”, “Kingslayer”, “Dehumanized” e “Can You Feel My Heart”.

O público acompanhou a banda em praticamente todos os momentos, transformando a área diante do Palco Mundo em uma sucessão de rodas, saltos e mosh pits. O peso das músicas mais agressivas dividiu espaço com refrões que já fazem parte do repertório conhecido pelos fãs brasileiros.

Oliver Sykes fala português durante praticamente todo o show

Se o repertório garantiu a resposta física da plateia, Oliver Sykes encontrou outra maneira de manter o público conectado: falando português.

O vocalista conversou com os fãs durante boa parte da apresentação e incorporou ao show expressões como “vocês são loucos” e “bora”. Também brincou com referências brasileiras, incluindo CPF e Pix, em uma interação que deixou de ser apenas uma tentativa pontual de agradar a plateia e passou a fazer parte da própria dinâmica do espetáculo.

Em um dos momentos, Sykes chegou a citar São Paulo antes de perceber o engano e corrigir para Rio de Janeiro. A situação foi recebida com naturalidade pelo público e reforçou o tom espontâneo adotado pelo cantor durante a noite.

A relação do vocalista com o Brasil não é exatamente nova. Sykes é casado desde 2017 com a modelo brasileira Alissa Salls, enquanto o Bring Me The Horizon mantém uma trajetória de apresentações no país desde 2011.

Uma viagem pela história do Bring Me The Horizon

O repertório também funcionou como uma espécie de retrospectiva da evolução sonora da banda. As músicas mais recentes dividiram espaço com faixas de diferentes períodos, mostrando como o grupo ampliou sua sonoridade sem abandonar os momentos mais pesados que ajudaram a formar sua identidade.

“Shadow Moses” apareceu entre os momentos de maior resposta da plateia, enquanto “Can You Feel My Heart” levou o público a outro tipo de coro. Já “Kingslayer” e “Dehumanized” recolocaram a apresentação em uma região mais agressiva.

O resultado foi um set que não dependeu de uma única fase da carreira. O Bring Me The Horizon transitou pelo próprio catálogo e encontrou diferentes gerações de fãs dentro do mesmo show.

Fã sobe ao palco para cantar “Pray For Plagues”

Um dos momentos mais comentados aconteceu quando o fã Geipis foi chamado ao palco para cantar “Pray For Plagues”, faixa de Count Your Blessings, álbum lançado em 2006 e associado à fase mais deathcore do Bring Me The Horizon.

Diante do público do Rock in Rio, Geipis assumiu os vocais e ainda aproveitou o momento para declarar seu amor à namorada, Emilly Laura. Oliver Sykes permaneceu ao lado do fã durante a participação e, depois da performance, resumiu sua reação em português: “Muito bom!”.

A cena acabou se encaixando na proposta de proximidade que marcou a apresentação. Em vez de apenas reproduzir um setlist, o Bring Me The Horizon abriu espaço para que um fã se tornasse parte do show.

Um show construído na conexão

O Bring Me The Horizon chegou ao Rock in Rio carregando uma trajetória que já atravessa diferentes fases do rock pesado contemporâneo. No palco, porém, a banda não ficou presa ao peso ou à grandiosidade da produção.

A apresentação funcionou justamente pela combinação entre música e comunicação. Oliver Sykes transformou o português em ferramenta de palco, enquanto o repertório garantiu a parte mais física da experiência.

Depois de passagens anteriores pelo Brasil, incluindo a apresentação de 2024 no Morumbi, em São Paulo, o grupo voltou ao país para mais um encontro com uma base de fãs que conhece sua história. No Rock in Rio, encontrou também uma plateia muito maior, em um dos principais palcos do festival.

E, entre mosh pits, refrões, brincadeiras em português e um fã dividindo os vocais com Sykes, o Bring Me The Horizon mostrou que sua relação com o público brasileiro continua sendo uma das forças de seus shows por aqui.

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Written by Daniel Outlander

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