Uma música pode nascer em poucos minutos, mas encontrar o artista certo para interpretá-la pode levar meses. Entre melodias, letras, encontros de composição e oportunidades, o pernambucano Amauri Leão vem construindo uma trajetória dedicada justamente a esse universo.
Aos 29 anos, o compositor já contabiliza cerca de 300 músicas escritas e entre 50 e 70 gravações realizadas por diferentes artistas do forró e do piseiro. Em entrevista ao Brazil Em Evidência, ele relembrou momentos importantes da carreira e contou histórias por trás de algumas das composições que chegaram ao público.
A relação com a música começou ainda na adolescência. Aos 15 anos, Amauri decidiu aprender violão por conta própria. Depois, passou a explorar instrumentos como teclado e sanfona, até transformar aquela curiosidade inicial em uma atividade profissional.
O caminho, no entanto, não foi exclusivamente musical. Formado em Licenciatura em Educação Física, Amauri é professor concursado da rede estadual de Pernambuco. Durante três anos, também trabalhou como barbeiro e chegou a administrar a própria barbearia.
Foi conciliando essas diferentes atividades que ele passou a dedicar cada vez mais espaço à composição.
Quando a melodia vem antes da letra
O processo criativo de Amauri não segue uma fórmula fixa. Em muitos casos, a melodia aparece primeiro e funciona como ponto de partida para o desenvolvimento da música.
“Começo pela melodia porque primeiro penso no que pode chamar a atenção de quem vai ouvir”, explicou.
O tempo de criação também varia. Algumas músicas são concluídas rapidamente, enquanto outras permanecem durante meses em busca da versão definitiva.
É o caso de “Fica”, gravada por Silvânia & Berg. Segundo o compositor, a canção foi finalizada em aproximadamente 40 minutos.
Já “Completamente Certa”, registrada por Raí Saia Rodada em 2024, teve uma trajetória bem diferente. A música passou quase um ano sendo apresentada a diferentes artistas até encontrar o intérprete que acabou levando a composição para seu repertório.
Do estúdio para o TikTok
Entre as histórias que mais chamam atenção está a de “Pod de Hortelã”. A música foi lançada inicialmente sem um grande trabalho de divulgação, mas encontrou um novo caminho meses depois.
O crescimento aconteceu de maneira orgânica no TikTok e fez a faixa ganhar força entre o público.
“Ela foi lançada e praticamente não recebeu trabalho de divulgação. Quatro meses depois começou a crescer sozinha no TikTok e explodiu”, relembrou Amauri.
A experiência também mostra como o consumo de música mudou nos últimos anos. Uma faixa pode ganhar uma nova vida muito tempo depois do lançamento, impulsionada por vídeos, trends e pelo comportamento do público nas plataformas digitais.
Composições que chegaram a grandes nomes
O catálogo de Amauri inclui músicas como “Duas Paixões”, “Fica”, “Não Vou Perdoar”, “Tem Como Cê Me Perdoar” e “Completamente Certa”.
Suas composições já foram gravadas por nomes como Zé Vaqueiro, Raí Saia Rodada, Silvânia & Berg, Iguinho e Lulinha, Viviane Batidão, Anna Catarina e Junior Viana.
Entre os momentos que ficaram marcados na memória do compositor está uma situação aparentemente simples: ouvir uma música de sua autoria tocando no rádio enquanto fazia compras em um mercado.
Para quem trabalha nos bastidores da música, o episódio ganhou outro significado. Era a confirmação de que uma composição criada em um momento particular havia encontrado espaço na rotina de outras pessoas.
Outra lembrança importante aconteceu em Salvador, durante a gravação de um DVD de Silvânia & Berg. Amauri acompanhou de perto o registro de duas composições suas no projeto.
Os sonhos que ainda estão pela frente
Mesmo depois de acumular centenas de composições e dezenas de gravações, Amauri ainda tem objetivos que considera importantes para a carreira.
Um deles é colocar uma música entre as dez mais ouvidas do Spotify. Outro é ter uma composição gravada por Gusttavo Lima ou Wesley Safadão.
“Já realizei muitos sonhos, mas ainda quero viver esse momento”, afirmou.
O compositor também acompanha as transformações provocadas pela tecnologia na criação musical. Para ele, ferramentas de inteligência artificial podem funcionar como apoio ao processo criativo, mas não substituem a experiência humana envolvida na composição.
Outro desafio, segundo Amauri, está na velocidade do mercado atual. Uma música pode alcançar números expressivos rapidamente, mas permanecer na memória do público exige mais do que um pico momentâneo de audiência.
Entre a sala de aula e o estúdio
Aos 29 anos, Amauri continua dividindo sua rotina entre a profissão de professor e a carreira musical. De um lado, a estabilidade conquistada no serviço público. Do outro, um caminho construído a partir de uma paixão que começou com um violão aos 15 anos.
Essa combinação ajuda a explicar uma trajetória que já reúne cerca de 300 composições e dezenas de músicas gravadas por artistas do forró e do piseiro.
Agora, enquanto novas canções continuam surgindo, Amauri mira os próximos capítulos da carreira. E, entre eles, estão justamente os sonhos que ainda não foram realizados: alcançar o topo das plataformas e ouvir uma de suas composições na voz de alguns dos grandes nomes da música brasileira.
Para quem pretende seguir o mesmo caminho, o compositor resume sua experiência em uma frase:
“Tenha muita paciência, acredite no seu potencial e confie no processo. As coisas acontecem no tempo certo.”


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