Pabllo Vittar abriu neste sábado (3), na Vibra São Paulo, a nova edição do Halloween da Pabllo, que neste ano ganhou formato de turnê nacional. A apresentação também serviu como primeiro grande encontro do público com a era de “LOST IN LUST”, novo álbum da cantora.
A noite tinha todos os ingredientes para um dos grandes espetáculos da artista em 2026: Halloween, dez anos de carreira, estreia de uma nova era e uma casa de shows lotada. Mas a apresentação acabou dividindo opiniões, principalmente pela duração reduzida e pelas escolhas feitas para construir o repertório.
Uma hora que passou rápido
O principal ponto de discussão entre os fãs foi o tempo de palco.
Pabllo encerrou a apresentação antes da 1h da manhã, depois de pouco mais de uma hora de show. Para parte do público, a duração não correspondeu à expectativa criada em torno de uma edição especial do Halloween e, principalmente, de uma celebração de dez anos de carreira.
A comparação com outras edições também foi inevitável.
Em 2023, quando o Halloween da Pabllo aconteceu no Qualistage, no Rio de Janeiro, o espetáculo teve aproximadamente duas horas e contou com um repertório de 34 músicas. A apresentação carioca havia sido pensada como um show completo, com diferentes momentos da carreira da artista.
Em São Paulo, a experiência foi bem mais enxuta.
O novo álbum no centro da experiência
Uma das explicações para a estrutura da apresentação está na própria proposta de “LOST IN LUST”.
O novo álbum representa uma mudança importante na sonoridade de Pabllo, com maior aproximação da música eletrônica, das pistas e de uma estratégia mais internacional. O show incorporou essa identidade e deu espaço para que a nova fase ocupasse o centro da narrativa.
Um dos principais exemplos foi o “Club Vittar”, momento em que Pabllo assume uma postura próxima à de uma DJ e transforma o palco em uma pista.
É uma escolha coerente com o universo do novo disco, mas que também acabou reduzindo o espaço destinado ao formato tradicional de show.
Para alguns fãs, o problema não estava em apresentar “LOST IN LUST”, mas na proporção. Em uma noite que também celebrava uma década de carreira, havia expectativa de uma viagem mais ampla pela discografia da artista.
Hits ficaram de fora
A redução do repertório teve consequência direta: algumas músicas consideradas fundamentais na trajetória de Pabllo não apareceram na apresentação ou receberam menos espaço.
O resultado criou uma espécie de choque entre duas expectativas.
De um lado, a artista que quer apresentar uma nova identidade e avançar musicalmente. Do outro, o público que comprou ingresso para o Halloween esperando ouvir alguns dos grandes hits que ajudaram a transformar Pabllo em um dos maiores nomes da música pop brasileira.
A questão se torna ainda mais relevante porque o Halloween é uma das marcas mais associadas à experiência de Pabllo com seus fãs.
O palco tinha oito bailarinos, mas não teve banda
Visualmente, Pabllo contou com oito bailarinos, que ajudaram a sustentar os momentos coreográficos e a dinâmica do espetáculo.
A apresentação, entretanto, não teve banda ao vivo.
A opção reforçou o caráter eletrônico do show e combinou com o conceito de “Club Vittar”, mas também deixou o espetáculo mais dependente das bases pré-programadas e da performance central da cantora.
Não necessariamente é um problema artístico. A questão está no conjunto: sem banda, com duração curta e um bloco considerável dedicado ao formato de DJ, a sensação para parte do público foi de um show menor do que o esperado para a ocasião.
Telão tecnicamente bom, mas visualmente pouco explorado
Outro ponto que chamou atenção foi o uso do telão.
A transmissão da apresentação apresentou boa qualidade técnica, com imagens bem captadas e definição suficiente para valorizar Pabllo e os bailarinos.
Faltou, porém, transformar o telão em um elemento narrativo do espetáculo.
Para uma produção de Halloween, havia espaço para explorar mais interlúdios, animações, vídeos, transições e conteúdos visuais que ajudassem a criar uma experiência mais cinematográfica e conectassem os diferentes blocos da apresentação.
Em vários momentos, o telão funcionou essencialmente como extensão da própria transmissão do palco.
Isso é especialmente perceptível quando colocado ao lado da força visual que Pabllo costuma construir em seus projetos.
Entre a nova Pabllo e a Pabllo que o público conhece
Talvez o ponto mais interessante da estreia esteja justamente nessa tensão.
Pabllo parece querer colocar “LOST IN LUST” no centro de uma nova identidade artística. E o “Club Vittar” é uma manifestação clara dessa intenção.
Mas o Halloween carrega uma memória afetiva própria.
O público não chega apenas para conhecer o álbum novo. Chega também esperando os momentos que já fazem parte do imaginário da carreira da cantora.
Na Vibra, a nova Pabllo ganhou espaço. O que faltou, para parte dos fãs, foi justamente uma ponte mais generosa entre essa artista que está surgindo e aquela que eles foram celebrar.
Uma estreia que deixa perguntas para a turnê
A apresentação de São Paulo não necessariamente define o que será o restante da turnê. Pelo contrário, pode funcionar como um primeiro capítulo de uma proposta que ainda pode ser ajustada.
O Halloween da Pabllo agora segue para outras cidades brasileiras, levando consigo a estética de “LOST IN LUST” e a aposta em uma experiência mais eletrônica.
A estreia, porém, deixa uma questão importante para os próximos shows: até onde a nova era deve ocupar o espaço de uma celebração de dez anos de carreira?
Em São Paulo, a resposta parece ter sido um pouco mais radical do que parte do público esperava.
E, quando as luzes da Vibra se acenderam antes da 1h, ficou a impressão de que ainda havia bastante Halloween para acontecer.


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