O cinema brasileiro ganha uma nova comédia de humor ácido com “Aloha, Malandro!”, longa escrito e dirigido pelo cineasta curitibano Evandro Scorsin. A produção mistura comédia nonsense, crime, violência e romance em uma história na qual um plano aparentemente simples rapidamente se transforma em uma sucessão de situações cada vez mais absurdas.
Produzido por O Quadro e Union Filmes, com distribuição da Lira Filmes, o longa é protagonizado por Pruner Neto e Renet Lyon, ao lado de Giovanna Negrelli, Fernanda Souto, Brenda Sodré e Rodrigo Nossaki.
Um sonho de Havaí que vira pesadelo
No centro da história está Jairo (Pruner Neto), um malandro sem dinheiro que sonha em abandonar os pequenos golpes e partir para o Havaí. Para ele, o destino representa uma vida ensolarada, tranquila e, principalmente, sem muito trabalho.
A oportunidade de financiar esse sonho aparece quando seu meio-irmão, Barãozinho (Renet Lyon), está devastado pelo fim de um relacionamento que durou apenas duas semanas.
Quando Barãozinho se envolve com Bárbara (Brenda Sodré), irmã de um contrabandista de arte, Jairo identifica uma oportunidade. O criminoso passa a ser visto como o alvo perfeito para um golpe capaz de colocar seu plano tropical em prática.
O problema é que a situação rapidamente foge do controle. Entre novos romances, decisões equivocadas e assassinatos acidentais, aquilo que deveria ser o caminho para o paraíso transforma-se em um verdadeiro pesadelo.
Entre a comédia e o terror
A mistura de gêneros é uma das principais características do trabalho de Evandro Scorsin. Antes do longa, o diretor desenvolveu uma trajetória ligada ao cinema jovem e aos gêneros cinematográficos, passando pela comédia adolescente em “Garota Explosiva” (2012) e “Manu Baunilha, Bia Chocolate” (2015), além do terror teen em “Paranoia Doce” (2018) e “Terror Noturno” (2019).
Para Scorsin, “Aloha, Malandro!” representa o encerramento desse primeiro ciclo e reúne justamente esses dois universos.
“Aloha Malandro nasce como uma espécie de encerramento desse primeiro ciclo. É um filme em que misturo esses dois universos: a comédia jovem e o terror, mas tratados de maneira paródica.”
O resultado é uma narrativa que utiliza situações de violência e crime de maneira deliberadamente exagerada. A inspiração passa pela slapstick comedy e pela screwball comedy, além da comédia nonsense de Steve Martin em seus primeiros trabalhos.
O Havaí como fantasia
Embora esteja no título e seja o grande objetivo de Jairo, o Havaí funciona no filme como algo maior do que um simples destino. O lugar representa a fantasia de uma vida sem responsabilidades.
“O Havaí representa para Jairo esse sonho idealizado de viver um verão eterno, de uma vida fácil, ensolarada e sem grandes preocupações. Existe aí uma dimensão quase caricatural de um imaginário bem brasileiro.”
A partir dessa ideia, o longa coloca o personagem dentro de uma narrativa cada vez mais caótica, criando um contraste entre o paraíso imaginado por Jairo e a realidade violenta e absurda que ele encontra pelo caminho.
Jairo e Barãozinho: dois lados da mesma história
A dinâmica entre os protagonistas também é fundamental para o humor do filme. Jairo é comunicativo, improvisador e está sempre tentando encontrar uma saída para as situações em que se envolve.
Barãozinho, por outro lado, é mais dramático e corporal, especialmente depois do fim do relacionamento com Clara.
Scorsin define os dois como personagens complementares:
“Jairo e Barãozinho funcionam quase como yin e yang: são opostos, mas complementares. Barãozinho é um personagem essencialmente corporal. Jairo, ao contrário, é verbal.”
A diferença entre os irmãos cria dois caminhos para a comédia, combinando diálogos e situações físicas dentro da mesma narrativa.
Elenco reúne nomes do cinema e da televisão
Pruner Neto, que utiliza o nome artístico Arno Pruner, retorna à atuação em “Aloha, Malandro!” depois de um período afastado das telas. O ator integrou o elenco de “Sítio do Picapau Amarelo”, da TV Globo, e participou do longa “400 Contra 1: Uma História do Crime Organizado”, de Caco Souza.
Já Renet Lyon possui trabalhos em produções como “3%” e “Irmandade”, além dos filmes “Jesus Kid”, de Aly Muritiba, “Entrelinhas”, de Guto Pasko, e “Estômago II: O Poderoso Chef”, de Marcos Jorge.
O elenco também conta com Giovanna Negrelli, Fernanda Souto, Brenda Sodré e Rodrigo Nossaki.
Do Paraná para o circuito nacional
Antes da chegada ao circuito comercial, “Aloha, Malandro!” passou por diferentes festivais brasileiros. A produção esteve no 26º Festival Kinoarte, em Londrina, em 2024, e no 21º Fantaspoa, em Porto Alegre, além do Djanho, em Curitiba, em 2025.
Em 2026, integrou a programação do Festival Boitatá, do Ponta a Ponta Festival, em Ponta Grossa, e da 5ª Mostra Curitiba de Cinema, no Cine Passeio.
O projeto também alcançou o mercado internacional ao participar, em 2025, do Marché du Film, em Cannes, importante espaço de negócios e circulação da indústria cinematográfica.
Sobre Evandro Scorsin
Com mestrado em Cinema pela Université Gustave Eiffel, em Paris, Evandro Scorsin atua como diretor, roteirista, produtor e montador desde 2010.
Além dos curtas que marcaram sua trajetória, lançou em 2023 seu primeiro longa-metragem, o documentário autoficcional “Fale Comigo Verão”, no Festival Olhar de Cinema.
Scorsin também trabalha como crítico, tradutor, mediador cultural e curador, tendo colaborado com veículos e instituições no Brasil e na França.
Serviço
Aloha, Malandro!
Estreia: 17 de setembro
Direção e roteiro: Evandro Scorsin
Produção: O Quadro e Union Filmes
Distribuição: Lira Filmes
Elenco: Pruner Neto, Renet Lyon, Giovanna Negrelli, Fernanda Souto, Brenda Sodré e Rodrigo Nossaki.


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