Foi da vontade de colocar pra fora o objetivo de ser uma das cantoras mais conhecidas do Brasil e do mundo que ANARA deu vida ao novo single “Dopamina”. Já disponível em todas as plataformas de áudio e com videoclipe oficial no YouTube, a faixa lançada pela FA1CON Records escancara os dois lados de ter uma natureza incansável. A canção surge como um desabafo sobre a própria ambição e expõe como essa mesma sede de vencer, que impulsiona a arte, também fere e consome até o limite da exaustão.
O lançamento explora essa complexidade de perseguir metas grandiosas em meio a uma rotina de cobrança constante. “Aos olhos das pessoas, querer conquistar o mundo, querer crescer e ser grande pode parecer algo muito positivo. Só que, ao mesmo tempo, eu sou uma pessoa incansável, que faz de tudo para alcançar esse lugar”, explica ANARA. Ela ainda completa: “Em Dopamina, eu canto justamente sobre isso: sobre como querer chegar tão longe e ser tão ambiciosa me levou para um lugar em que eu provei do meu pior em relação à doença, burnout, exaustão, cansaço financeiro, falta de ver a minha família e perda de amores. E, ao mesmo tempo, como ainda sou viciada nessa busca”.
Imersão criativa e conexão visceral
O processo de criação da faixa nasceu de forma intuitiva após ANARA se reunir em um apartamento com o diretor musical DaniDrama e o produtor Tinno. O grupo viveu uma espécie de camping criativo durante seis meses, impulsionado pelo sonho em comum de viver da arte e pela identificação com a caminhada de tentar muito. A ideia de “Dopamina” surgiu quando DaniDrama percebeu a força e a intensidade com que a cantora falava sobre tudo o que queria alcançar, notando o quanto ela era viciada nessa busca sem perceber.
A partir desse olhar, ele começou a estruturar algumas opções de letra, enquanto a artista completava a escrita com seus próprios textos e reflexões diárias. “A gente casou muito nesse lugar da construção dessa obra como um todo, porque eu também queria que essas músicas fossem muito cinematográficas, que as pessoas conseguissem perceber e sentir tudo aquilo que eu estou querendo passar. Por exemplo, existe um ponto de crise de ansiedade em que estou ali precisando de coisas, precisando desse barulho, dessa vida e de tudo aquilo que ter esse sonho me dá”, explica.
O trabalho em conjunto permitiu transformar os escritos pessoais de ANARA em música com o apoio de Dani e a produção sonora de Tinno, ultrapassando o papel e a caneta. “Eu escrevia, ele pegava partes e criava algo novo, e o Tinno conseguiu trazer sonoramente tudo o que essa faixa pedia. Mas acredito que, além de todo esse processo físico de sentar, escrever e construir, também existe uma parte de energia. Essas músicas já existiam em algum lugar e que nós, como grupo criativo, conseguimos acessar esse espaço para trazer exatamente o momento que eu precisava viver e que fala tanto sobre mim. Essa música sou eu cuspida”, afirma a cantora.
Ouça o single:
A sonoridade e o novo rumo da carreira
Sonoramente, a produção musical comandada por DaniDrama e Tinno marca a primeira vez em que ANARA se permite ser abertamente vulnerável, usando o contraste para recriar a oscilação química no corpo. Para ir além do arranjo tradicional, a faixa ganha contornos cinematográficos ao incorporar elementos de sonoplastia como recursos narrativos, trazendo ruídos de respiração, gritos de desespero e o som de uma colisão de carro para simular o ápice de um colapso interior. “Dopamina fala desses dois lados da faca: da ambição como algo que me move, mas também como algo que pode me consumir”, resume a cantora.
Representando uma ruptura definitiva no direcionamento da artista, a faixa aposta em sonoridades psicodélicas, unindo o pop a referências alternativas da cena eletrônica dos anos 2010. “Para simular o efeito da dopamina no corpo, e toda essa sensação de êxtase, apostamos muito no contraste e em sons psicodélicos. O resultado foi uma faixa com diversos momentos, passando pela apatia até esse ápice. Na primeira parte da faixa, ela é apenas uma balada de piano, bem minimalista. Aos poucos, os sons eletrônicos vão chegando, até virar uma música synthpop oitentista, daquelas de cantar de braços abertos em um carro conversível em movimento”, detalha DaniDrama.
Videoclipe
Com produção da Dramarama Discos e direção de Lucas Sales, o videoclipe de “Dopamina” traduz visualmente o ritmo acelerado da artista, marcando sua estreia audiovisual após dois anos de economia independente e uma mobilização familiar para viabilizar o projeto. Gravado em um ritmo intenso de mais de 14 horas de set, o filme prioriza a atuação e a estética orgânica, trazendo elementos simbólicos como a cena do banho – representação dos momentos de reflexão solitária – e a condução de um carro antigo conversível em alta velocidade, que atua como metáfora para a corrida rumo ao topo. Essa trajetória atinge ápice no impacto de uma colisão automobilística, ponto de virada na narrativa do próximo álbum onde a busca obstinada do sonho colide com a necessidade de encarar os próprios limites.
Assista:
Futuro disco
A canção funciona como a primeira confissão de um futuro álbum totalmente integrado, onde cada faixa cumpre um papel na mesma narrativa. No projeto, ANARA aborda o peso do sistema, os traumas do mercado e as barreiras que tentam colocar mulheres pretas em caixinhas específicas no pop. Inspirada pela história recente de sua família e pela sede de “ser alguém” que seus antepassados não puderam ser, a artista usa o lançamento para resgatar o mesmo brilho nos olhos que marcou o início de sua carreira, mas agora mostrando tudo o que existe por trás da casca: quem ela realmente é.



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