A beleza brasileira deixou de ser apenas um segmento ligado ao consumo e passou a ocupar um espaço cada vez mais relevante na cultura, no entretenimento e na economia global. Um dos exemplos mais recentes aconteceu em Paris, onde Anitta, Taís Araújo, Liniker e Bella Campos representaram o Brasil no Le Défilé 2026, da L’Oréal Paris, realizado em 28 de setembro durante a Semana de Moda de Paris. Foi a primeira vez que as quatro brasileiras participaram juntas da passarela promovida pela marca.

A presença das artistas em um dos principais eventos internacionais ligados à beleza ajuda a revelar uma transformação no próprio papel das celebridades. Elas não são apenas rostos associados a campanhas publicitárias. Tornaram-se também referências de comportamento, estética, identidade e tendências, capazes de aproximar grandes marcas de diferentes públicos.
Para Márcio Michelasi, que está à frente do Sindicato Pró-Beleza e acompanha o mercado a partir da representação dos profissionais do setor, esse movimento reflete uma mudança maior na forma como a beleza brasileira é percebida. Na avaliação do executivo, a indústria passou a dialogar diretamente com entretenimento, cultura, empreendedorismo e construção de imagem.
Um mercado que movimenta bilhões
O fenômeno das celebridades acontece dentro de uma indústria de enorme dimensão. Segundo dados da ABIHPEC, o setor brasileiro de Beleza e Cuidados Pessoais movimentou aproximadamente R$ 200 bilhões em 2025, colocando o país como o terceiro maior mercado consumidor do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e China. A cadeia também reúne cerca de 6,9 milhões de oportunidades de trabalho.
Os números ajudam a dimensionar por que a beleza ocupa um espaço tão estratégico no Brasil. O setor está presente em 100% dos domicílios brasileiros e envolve uma cadeia que vai muito além dos fabricantes de cosméticos: inclui salões, profissionais autônomos, varejo, distribuidores, fornecedores, especialistas, influenciadores e empreendedores.
Em 2025, as exportações brasileiras de produtos de Beleza e Cuidados Pessoais ultrapassaram pela primeira vez a marca de US$ 1 bilhão, com crescimento de 20,1% em relação ao ano anterior e produtos chegando a 189 países.
Quando a artista também vira referência de beleza
Nesse cenário, a presença de artistas brasileiras em grandes eventos internacionais ganha outra dimensão.
Anitta já possui uma relação consolidada com o universo global da beleza e participou novamente do Le Défilé da L’Oréal Paris. Taís Araújo também retornou ao evento, enquanto Liniker e Bella Campos fizeram sua estreia na passarela da marca.
A escolha desses nomes também evidencia a diversidade de referências que o mercado busca incorporar. Música, televisão, cinema e moda se encontram em torno de uma mesma indústria, enquanto diferentes identidades, estilos e formas de expressão passam a fazer parte da comunicação das grandes marcas.
Para Michelasi, essa aproximação representa uma oportunidade para que o crescimento da indústria seja acompanhado também pela valorização de quem atua diretamente na prestação dos serviços de beleza.
“Quando uma artista brasileira chega a uma passarela como essa, existe toda uma cadeia profissional por trás daquela imagem”, é uma das linhas de análise que Michelasi pretende levar para a discussão sobre o futuro do setor.
Da passarela para os salões
O protagonismo internacional das artistas também ajuda a chamar atenção para profissionais que muitas vezes permanecem longe dos holofotes: cabeleireiros, barbeiros, maquiadores, manicures, esteticistas e empresários responsáveis pela construção cotidiana das imagens que chegam ao público.
É justamente nessa relação entre visibilidade e profissionalização que está uma das frentes de atuação de Michelasi. À frente do Sindicato Pró-Beleza, ele acompanha discussões relacionadas à valorização dos profissionais e à organização das relações de trabalho no segmento.
A profissionalização também aparece em projetos educacionais ligados à sua trajetória. Michelasi atua na educação corporativa e passa a integrar o ensino superior, ampliando a discussão sobre formação, gestão e empreendedorismo para além dos limites tradicionais do mercado de beleza.
O Brasil como referência internacional
A força brasileira também está relacionada à diversidade de consumidores e à capacidade de inovação do mercado. Em 2025, foram registrados 7.359 lançamentos de produtos de Beleza e Cuidados Pessoais no país, segundo dados compilados pela ABIHPEC. O Brasil também ocupa posições de destaque mundial em categorias como fragrâncias e proteção solar.
A biodiversidade brasileira é outro elemento que pode contribuir para essa diferenciação internacional. Ingredientes associados a diferentes biomas, como açaí, cupuaçu e buriti, são utilizados em formulações de produtos de beleza e cuidados pessoais.
O resultado é um mercado que combina indústria, ciência, empreendedorismo, cultura e identidade.
E quando Anitta, Taís Araújo, Liniker e Bella Campos atravessam uma passarela em Paris, a imagem que chega ao público é também a de um Brasil que encontrou na beleza uma das suas plataformas de projeção internacional.
Mais do que acompanhar tendências, artistas brasileiras passaram a participar da construção delas. Para Michelasi, o próximo desafio está em fazer com que essa projeção internacional também se traduza em mais qualificação, profissionalização, oportunidades e valorização para toda a cadeia que sustenta o mercado da beleza no país.


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