Para o cantor e compositor Dimas, a música popular brasileira tem nomes e rostos muito claros quando o assunto é inspiração. Prestes a dar início à transição definitiva para a MPB com o futuro álbum “baby blue”, o artista lança o single “Cinema Tropical” como uma reverência assumida ao universo ao Kid Abelha. Mais do que uma referência estética de estúdio, a faixa é o transbordamento de uma forte admiração que acompanha o cantor desde a infância. Faça o pré-save aqui!
A conexão do artista com o grupo começou aos 5 ou 6 anos de idade, quando sua mãe apresentou o vinil “ Tomate”, de sua coleção de discos. Ali, cantarolando faixas como “Amanhã é 23” pela casa, nasceu o encantamento pela banda. Na adolescência, o lendário Acústico MTV selou o laço definitivo, expandindo-se anos mais tarde para a carreira solo de Paula Toller com o álbum “Derretendo Satélites”.
“O Kid Abelha sempre esteve presente. Tenho uma música deles para cada momento da minha vida”, revela Dimas. “Por exemplo, tomo ‘Nada Tanto Assim’ quase como uma autobiografia, e uso ‘Eu Tive Um Sonho’ para me jogar de cabeça nas emoções. O trabalho deles é envolto por uma intensidade que conversa diretamente com a maneira que escolhi viver.”
Na visão do compositor, o grande diferencial do Kid Abelha sempre foi a capacidade única de unir sinergia criativa, um repertório lírico nacional e uma pegada pop rock tupiniquim liderada por uma mulher. Essa originalidade virou bússola no momento de desenhar a nova fase da sua carreira.
“A minha sensibilidade melódica e o jeito de cantar sempre foram muito influenciados por eles. Quando pensei em qual linha seguir ao migrar para a MPB, vi todo mundo tentando ser Caetano, Gil, Gal ou Maria Bethânia. Eu sempre quis ser mais Rita Lee, Marina Lima, Fernanda Abreu, Paula! Se eu fosse escolher uma artista para ser, escolheria Paula Toller e o Kid Abelha”, afirma o cantor, garantindo que não sentiu receio ao assumir essa inspiração tão abertamente. “Não senti medo. Acho que essa música é uma continuação e resgate sonoro de Minha Vitrola Toca Rita (2023). É algo muito meu prestar homenagens aos meus ícones”.
Musicalmente, “Cinema Tropical” traduz essa devoção ao equilibrar a elegância da bossa nova, o tempero brasileiro e os marcantes arranjos de saxofone típicos do pop oitentista, em uma produção dividida com Lucas Marmitt e Victor Kroner. A intenção foi capturar exatamente a capacidade que o grupo tinha de transitar entre o requinte e o apelo popular. “Dá para ser popular e chique ao mesmo tempo. Dá para trazer um ‘quê’ de sentimentalismo e intelectualidade sem ser piegas”, explica.
Em meio ao resgate sonoro dos anos 80, o single utiliza a desilusão de um romance de três meses em São Paulo como plano de fundo para a narrativa. Com videoclipe dirigido por Pedro Campana, gravado no exato local do último encontro do artista, “Cinema Tropical” serve como a porta de entrada perfeita para a era baby blue. “É a faixa mais grudenta do repertório, uma transição confortável e sinestésica. Minha verdadeira ode ao Kid Abelha”, conclui Dimas.


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