O novo hino do hexa: Tio Sam conecta a ginga do brasileiro ao peso de Hollywood em “Dale Olê”, confira a entrevista

Créditos: Valmir Soul

A paixão avassaladora do brasileiro pelo futebol ganhou uma nova e potente trilha sonora. O cantor, compositor e multi-instrumentista Tio Sam faz sua estreia oficial no cenário musical com o single “Dale Olê”, uma faixa vibrante desenhada sob medida para se tornar o novo grito de guerra da torcida rumo ao tão sonhado hexacampeonato. Criado no subúrbio carioca e radicado nos Estados Unidos, o artista une o melhor de seus dois mundos em um refrão universal e avassalador, feito para ecoar das lajes do Rio de Janeiro até as arquibancadas dos maiores estádios do mundo.

O grande trunfo do lançamento reside em sua identidade multicultural única: uma produção com o peso direto de Hollywood, assinada por Guilherme França, perfeitamente entrelaçada com o molejo e a alma da rua garantidos pelo cavaquinho de PC Macabu. Misturando o swing afro-brasileiro ao groove do pop global e do hip-hop, Tio Sam abre as portas de seu novo projeto artístico em uma conversa franca sobre fronteiras musicais, memória afetiva e a energia contagiante que só o Brasil consegue exportar. Confira a entrevista completa a seguir!

A sonoridade de “Dale Olê” traz uma mistura muito rica: produção direto de Hollywood combinada com a ginga do cavaquinho carioca. Como foi construir esse arranjo que une o mercado internacional ao balanço genuíno do Brasil?

A ideia de “Dale Olê” nasceu justamente desse encontro entre dois mundos que fazem parte da minha vida hoje. Eu sou um cara criado no subúrbio do Rio, ouvindo samba, pagode, soul e hip hop, mas ao mesmo tempo moro há anos nos Estados Unidos e convivo com uma linguagem de produção muito internacional. Então o desafio era fazer uma música que tivesse padrão global de som, impacto de estádio e qualidade pop, mas sem perder o calor humano e a malandragem rítmica brasileira. A produção trouxe esse peso cinematográfico, quase de trilha esportiva, enquanto o cavaquinho entrou como a alma da rua, da laje, do churrasco, da roda de samba. Foi esse equilíbrio que deu identidade para a faixa.

O PC Macabu foi o responsável por inserir o cavaquinho na faixa. Qual foi a importância desse instrumento para garantir que a música mantivesse sua alma brasileira, mesmo com uma produção super atual e pop?

O PC Macabu teve um papel muito importante nisso. Quando o cavaquinho entrou, eu senti que a música encontrou sua nacionalidade de verdade. Porque o risco de uma produção muito moderna é ela ficar genérica, soar como qualquer hit esportivo internacional. O cavaquinho trouxe a assinatura brasileira. Ele não entrou só como um instrumento decorativo. Ele trouxe intenção, suingue e memória afetiva. Quando você ouve, você reconhece imediatamente que aquilo vem do Brasil, mesmo com synths, beats modernos e uma mixagem grande e atual.

Sendo um multi-instrumentista, você esteve muito envolvido na criação dos arranjos. Qual foi a parte mais divertida e desafiadora de traduzir a energia de um estádio de futebol para o ambiente de estúdio?

Eu fui o compositor da música e participei diretamente da construção da identidade dela desde o início, mas os arranjos e toda a direção de produção tiveram uma contribuição muito forte do Gui França. Inclusive, o Gui chegou com a ideia do refrão, que foi fundamental para transformar “Dale Olê” nesse canto coletivo que gruda na cabeça. Acho que a parte mais interessante do processo foi justamente transformar a emoção de um estádio em música dentro do estúdio. A gente pensou muito em refrão para o povo cantar junto, em percussões que lembrassem torcida organizada, em pausas e explosões que trouxessem a tensão de um jogo decisivo. O Gui teve um olhar muito importante para equilibrar essa energia popular com uma estética moderna e internacional sem perder a essência brasileira da faixa.

O single mistura o swing afro-brasileiro com o groove americano. De que forma essa identidade sonora multicultural define o que é o projeto musical do Tio Sam hoje?

Essa mistura de swing afro-brasileiro com groove americano define totalmente o que é o projeto do Tio Sam hoje. Eu não quero fazer música brasileira tentando copiar o mercado americano, nem música americana fantasiada de brasileira. O meu objetivo é criar uma ponte real entre esses universos. Tem samba rock, tem black music, tem percussão brasileira, mas também tem peso de low end, estética de pop global e influência de R&B e hip hop. Acho que isso representa muito a minha trajetória pessoal também: um carioca da periferia vivendo nos Estados Unidos, carregando a cultura brasileira no peito, mas dialogando com o mundo inteiro através da música.

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Written by Redação

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