Se existe uma palavra capaz de definir o encontro entre Ricky Martin e Pedro Sampaio no Brasil, talvez seja conexão. De um lado, um dos maiores nomes da música latina mundial. Do outro, um dos artistas brasileiros que ajudaram a levar o funk e a música eletrônica brasileira para uma nova geração de ouvintes. No meio dos dois, uma música, um palco gigantesco e seis minutos para fazer história.
É neste domingo (27), no Maracanã, que a parceria ganha sua primeira grande apresentação pública durante o NFL Rio Game. O encontro marca a estreia do Halftime Show da NFL no Rio de Janeiro e também coloca “Piquito”, colaboração dos dois artistas, no centro de um dos eventos esportivos mais aguardados do ano.
Para Pedro Sampaio, a experiência tem um peso diferente justamente por representar sua primeira grande apresentação internacional. “Esta vai ser a minha primeira grande apresentação internacional. O Ricky tem mais noção do que eu e vou pedir-lhe conselhos, porque estou a dar os primeiros passos na carreira internacional.”
Mais do que dividir o palco com Ricky Martin, Pedro enxerga a apresentação como uma oportunidade de levar um pouco do Brasil para uma audiência global. “Ter esta oportunidade de representar o Brasil, a nossa música, a nossa cultura e a nossa comunidade na NFL é algo muito importante e que encaixa perfeitamente no meu atual momento de carreira.”
Uma parceria que começou antes da música
A história de “Piquito” começou de uma maneira quase improvável. Ricky Martin já acompanhava Pedro Sampaio, mesmo sem conseguir um follow de volta. “Eu seguia o Pedro há muito tempo, mas ele não me seguia a mim. Eu deixava de seguir e seguia de novo para ver se ele percebia, e mesmo assim não me seguia”, conta, entre risadas.
O interesse de Ricky pelo trabalho do brasileiro aumentou justamente em um momento em que buscava novas referências sonoras. “Eu dizia que queria fazer algo na música com um bocadinho de funk. Aí surgiu o Pedro, e comecei a ver tudo o que estava a acontecer com ele.”
A coincidência de os dois fazerem parte da Sony Music ajudou a aproximar os universos. “Falámos que tínhamos a mesma editora discográfica, a Sony, e que devíamos fazer algo juntos.”
O resultado foi uma colaboração que chegou no momento certo. “É um momento perfeito para ele e para mim, e não o era há dois anos quando comecei a segui-lo. Tudo acontece quando tem de acontecer.”
O encontro em Los Angeles
Antes do Maracanã, a parceria começou a tomar forma em Los Angeles, na casa de Ricky Martin. E a sessão criativa teve direito até a café feito pelo próprio artista.
“Em Los Angeles fomos a casa do Ricky, e ele serviu-me um café com creme, espuma, canela e xarope de baunilha”, explica Pedro.
“Que custou dois dólares. Fui eu que o fiz, não pedi delivery”, brinca Ricky.
Foi naquele encontro que Pedro revelou já ter uma música que poderia servir de ponto de partida para a colaboração. “Ele disse que precisávamos de fazer uma música juntos e eu respondi que já tinha a canção.”
A partir daí, os dois começaram a ouvir ideias. Pedro lembra até da concentração de Ricky enquanto esperava a caixa de som conectar. “Pensei que este tipo tinha uma enorme concentração.”
A música escolhida acabou se transformando em “Piquito”. “Ouvimos músicas, gostei daquela e decidimos que tínhamos de fazer uma loucura boa. Assim saiu ‘Piquito’.”
Ricky encontra no Brasil uma nova inspiração
A colaboração também aproxima duas trajetórias diferentes, mas que compartilham uma característica importante: a capacidade de transformar música em experiência.
Ricky Martin não economiza elogios ao falar sobre Pedro. “Estou encantado com o trabalho dele, não apenas com a sua música, mas a ligação que tem com o público é admirável.”
O artista também identifica no brasileiro uma energia familiar. “É um jovem focado e disciplinado que me lembra muito o meu início.”
Pedro, por sua vez, não esconde a dimensão que Ricky ocupa em sua própria história musical. “O Ricky é um ícone para a música brasileira e uma inspiração enorme para mim, pois cresci a ouvi-lo.”
A conversa, naturalmente, termina em brincadeira. Ao ouvir que Ricky enxerga nele características do início de sua própria carreira, Pedro responde: “Dizes que me vês como tu quando eras jovem, mas eu não danço como ele.”
“Piquito” quer apenas uma coisa: diversão
Em meio a um cenário mundial carregado de notícias difíceis, Pedro Sampaio diz que o objetivo da música é quase uma provocação à seriedade excessiva.
“Eu estou num momento em que quero alegria, face a tantos problemas e más notícias no mundo. ‘Piquito’ é um beijinho.”
O próprio título carrega uma brincadeira com o idioma e com a cultura brasileira, algo que os artistas incorporaram à colaboração. “Adorei que ‘Piquito’ também tenha uma ligação com o idioma do Brasil, para que todos possam dançar, perceber e cantar.”
A ideia é que a música seja simples, divertida e, principalmente, impossível de ignorar. “O que quero é que as pessoas voem e se divirtam com a canção. É tão viciante que pode até ser irritante, mas vamos passar um bom bocado.”
Seis minutos para entrar para a história
A apresentação no Maracanã também representa uma sequência de acontecimentos inéditos para o Halftime Show da NFL no Brasil. Pedro Sampaio será o primeiro artista solo masculino brasileiro a se apresentar no intervalo do evento, enquanto a participação conjunta dos dois artistas cria outro momento simbólico.
“Vai ser a primeira vez que o Halftime Show tem dois homens LGBT como cabeças de cartaz”, destaca Pedro.
A responsabilidade, segundo ele, é grande. A diferença é que, desta vez, os nervos vêm acompanhados de uma sensação ainda maior de expectativa.
“O Brasil é o Brasil. É muito importante o que está a acontecer aqui”, afirma Ricky Martin.
E quando as luzes do Maracanã se acenderem, os dois terão apenas seis minutos para transformar uma parceria recém-nascida em espetáculo. Pouco tempo para contar uma história, mas suficiente para criar uma nova memória na música pop brasileira.
“Há muita coisa a acontecer no domingo nos seis minutos que vamos ter. Vai ser histórico e vamos fazer barulho.”


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