Dany López dá protagonismo a Zeca Baleiro, Filipe Catto e mais brasileiros em “Limbo”

Dany López,
Foto: Divulgação

Já parou para pensar que sabemos tão pouco sobre nossos vizinhos latinos, mesmo que eles estejam do nosso lado? Por questões de exportação cultural, muitos brasileiros parecem estar mais ligados à cultura e à música norte-americana do que à cultura de países nos nossos arredores. Salvas algumas exceções do mainstream, conhecemos, no geral, muito pouco sobre a música latina. No entanto, existem artistas que têm tentado furar essa “bolha” e promover mais diálogo entre os países. Este é o caso do uruguaio Dany López, que usou o Brasil como a principal inspiração do seu novo projeto “Limbo“, o primeiro disco escrito por um hispano-americano em português.

Desenvolvido ao longo dos últimos dois anos, o álbum foi viabilizado por um prêmio do Ministério da Cultura do Uruguai conquistado pelo músico. É um projeto audacioso, criativo e muito plural, promovendo uma ponte pouco explorada entre Uruguai e Brasil, país que é constantemente visitado e eternamente admirado por Dany. “É um ‘disco ponte’, porque é um dos primeiros discos feitos por um uruguaio em português brasileiro. E tudo isso aconteceu de forma muito natural, já que eu sempre vivi nesse trânsito de um país para o outro”, conta o músico, que já colaborou com nomes como Zeca Baleiro e Marcelo Delacroix e sempre foi fã da MPB e dos ritmos brasileiros. Inspirado pela nossa cultura antropofágica, o material mistura linguagens, poesias, ritmos, estruturas melódicas, sotaques e um grande número de parcerias. “É um disco pensado em português por alguém que não é brasileiro”, descreve.

O robusto time de participações especiais nacionais engloba Filipe CattoZeca BaleiroDiego MoraesOsórioTaís ReganelliAline StoffelLinoCHAUDA e Lila Trentini. Ao mesmo tempo, o trabalho também se projeta para outros territórios e incorpora outras referências nas habilidades musicais de Lenzo Rizzo (Guiné-Bissau), Camila Ferrari (Uruguai) e Anaīs Sylla (França). Temos aqui uma viagem musical não apenas em termos líricos, mas também instrumentais. E tudo isso é feito de forma desapressada, de forma a inserir o ouvinte com riqueza de detalhes no mundo de Dany e na interessante experiência proposta.

Não à toa, o protagonismo dado a cada colaborador define a pluralidade musical de Limbo, que leva Dany a outros universos musicais, agregando para um resultado rico e cheio de camadas. Tango, bossa nova, música eletrônica, blues, reggae e mais ganham espaço dentro da tracklist do disco, que conta um total de 11 canções. São synths que se misturam a riffs de guitarra, percussões que ilustram acordes dedilhados e muito mais, indo da calmaria de “Você Não Para de Rir” à peculiar sensualidade de “Eletrocutado”. Enquanto isso, as sonoridades elaboradas, que se juntam de forma fluida em uma espécie de liquidificador, se entrelaçam aos arranjos rebuscados, mantendo sempre uma dimensão época. No final das contas, a imprevisibilidade musical de “Limbo” parte da ideia de que a música é a “língua mãe”. É o que conecta os temas e os arranjos do disco, mesmo que tenham várias vozes.

Junto com o lançamento, somos apresentados ao novo single “Suicidal Samba”, que, por sinal, é a única canção sem participações especiais. Nela, samba e rock dançam juntos, como fundo para uma letra bem humorada que traz referências a nomes como Lou Reed, Beatles e Paul Simon.

No entanto, por trás de um som tão abrangente e colaborativo, existe um grande fio condutor: a emoção. Ao longo do disco (cujas letras também são escritas em parcerias com outros artistas), Dany promove discussões profundas sobre os encontros e desencontros da vida, se mostrando agradecido por uns e saudoso por outros (o que justifica o título do álbum). Por sinal, isso cria um paralelo com a cultura agregadora do Brasil, que fez com que Dany se sentisse abraçado nos momentos de “Limbo” de sua vida nômade. “Há doses de melancolia e de humor, que permeiam intencionalmente um contraste entra a música e a poesia“, explica Dany. De caráter amplo e associável às nossas vidas, mas ao mesmo tempo intimamente pessoal, os versos do artista uruguaio abordam questões existencialistas de uma forma intensa e, ao mesmo tempo, niilista e otimista.

Mais do que relatos pessoais e reflexões, o lançamento também é uma forma de Dany incentivar a troca das relações musicais entre países latino-americanos, já que vivemos em um continente muito rico em sua amplitude de sons. Para o músico, o compromisso de entidades como o Mercosul com a cultura deveria se potencializar e gerar uma comunicação mais fluida entre os países inclusos. “É uma instituição com muito potencial para agendas culturais que pode e que deve ser incentivada. Vemos o mercado com foco cada vez maior no mainstream. É uma pena, porque precisamos cuidar e fortalecer o nosso ‘Produto Culto Interno’ latino-americano”, desabafa o músico fazendo referência a Carlos Maggi.

SOBRE DANY LÓPEZ

Atualmente com 52 anos de idade, Dany López é um músico e produtor uruguaio que tem uma rica trajetória musical com reputação internacional. Começou a se interessar por esse assunto ainda novo, começando a tocar piano aos 5 anos de idade, influenciado por sua mãe, fã assídua de música clássica. Dali, desenvolveu seu amplo gosto musical a partir de sua curiosidade e do seu interesse de querer cada vez mais com foco em possibilidades de composição, pesquisando e aprendendo sempre sobre outros instrumentos (especialmente violão). Estudando e sempre disposto a aprender desde adolescente, sempre expandiu seus horizontes artísticos, o que o levou a desenvolver contato com a cultura musical de outros países, especialmente Argentina e Brasil. Sua inquietude musical evita lugares comuns, incorporando pop rock e folk a musicalidades regionais, o que leva seus ouvintes a se impressionarem com cada lançamento.

Ao longo da carreira, Dany produziu mais de 35 álbuns, incluindo Mar Abierto, de Daniel Drexler, disco ganhador de um Prêmio Gardel. Uma de suas mais ricas e sensíveis características está no fato de estar sempre a serviço de melodias originais e provocadoras, que enriquecem seu repertório de forma a torna-lo um artista inrotulável.

Seu catálogo solo conta com cinco discos lançados, sendo dois em espanhol (Acuario, de 2007, e Polk, de 2015). Nesse período, lançou também um disco em colaboração com o músico gaúcho Marcelo Delacroix, intitulado Canciones Cruzadas. Também lançou um disco em inglês (Kingdom of Me, de 2019) e o mais recente, Limbo, foi feito junto a um time expressivo de artistas nacionais. Pensado em português, o novo lançamento mostra que Dany é um “uruguaio in Brazil” da mesma forma que Sting se denominou um “englishman in New York”.

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Written by CarolinaDidonet

Jornalista, 24 anos, é apaixonada pelo mundo da música e do entretenimento. Trabalha na área há mais de 6 anos. A playlist é uma bagunça total e toca um pouco de tudo.

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