Após 15 anos de hiato, o Oasis volta como uma fênix e, com a sua ressurreição, ressurge também a paixão que transpassa gerações. O documentário “Oasis: Don’t Look Back in Anger” não busca fazer um resumo de sua carreira, mas sim lançar um olhar de agradecimento a todos que acompanharam sua conturbada história.
Quando se fala de documentário de turnê, o potencial quase sempre parece simplório, a não ser que você seja um fã aficionado, é claro. A ideia de acompanhar os bastidores de um grande artista ou banda por duas horas costuma soar apenas como uma imensa massagem no ego do artista em questão. Mas o que acontece quando essa banda é permeada por tanto caos, atritos e excessos quanto o Oasis?
A banda que nasceu em 1994, marcou toda uma geração do rock inglês, sendo definida por outros ícones da música como “o som do futuro”. Mas como todo rockstar, não faltavam intrigas na vida de estrelas do rock. A cada música nova, a relação entre os irmãos Noel e Liam Gallagher colapsava ainda mais. Essa batalha de egos chegou ao ápice em 2009, quando Noel anunciou sua saída, decretando assim o fim do grupo.
Até que, na madrugada do dia 27 de agosto de 2024, veio o tão aguardado anúncio. Quinze anos depois, confirmava-se a reconciliação e a volta de uma das mais influentes bandas de rock das últimas décadas. E a turnê de renascimento dos irmãos que redefiniram um gênero ganhou um documentário à altura.
A princípio, o documentário toma o cuidado de não se prender ao passado. A ideia central aqui não é reciclar a história em uma cinebiografia da banda, mas sim contextualizar com franqueza as razões para o seu declínio e rompimento, além de evidenciar a ferida aberta deixada no público.

Ao invés de ser apenas uma linha do tempo, o filme mergulha no profundo impacto causado nos fãs durante essa década e meia de ausência. A produção entrega, de longe, a direção mais assertiva em meio à enxurrada de registros de turnês engessadas que inundaram o mercado nos últimos anos. Com um ritmo intenso, a montagem retrata de modo hipnótico e quase religioso a devoção e a paixão que sempre envolveram a cultura do Oasis.
Para o fã de longa data, “Oasis: Don’t Look Back in Anger” será um verdadeiro arrebatamento, uma catarse que valida todos os anos de espera e incerteza sobre o futuro dos irmãos Gallagher. Já para os entusiastas de primeira viagem, que talvez conhecessem a banda apenas pelos grandes sucessos, a obra será a porta de entrada para um universo novo. O filme escancara os motivos pelos quais o grupo ditou as regras dos anos 90, oferecendo um convite irrecusável para entender a genialidade e a atitude de uma banda que, afinal, provou ser muito maior do que os seus próprios demônios.
O longa já esta disponível nos cinemas.



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